quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Invisível...


Ela ja estava a algumas horas naquela praça, gritando e gesticulando violentamente, mas mesmo assim cada pessoa que passava a ignorava.

Ela não entendia como isso era possivel... Parecia invisivel, ninguém a ouvia ou enxergava. Quando ela parava em frente a alguém a pessoa passava por seu corpo como se nada estivesse em seu caminho...

Como isso era possivel? Racionalmente era algo inaceitável, não existia uma explicação lógica para o que estava acontecendo.... Seu desespero aumentava a cada minuto que passava.

Aos poucos ela foi desistindo, cansada em tentar fazer com que os outros a escutassem ou a vissem. Sentando no meio na praça fechou os olhos respirando profundamente.

Naquele momento sozinha, começou a lembrar de seus desejos, seus sonhos, e até perceber quais eram seus sentimentos em relação as pessoas, o que havia em sua vida, começou a se enxergar como realmente era.

Depois de alguns minutos seus pensamentos foram interrompidos pela voz de um estranho. Ele perguntava se ela estava bem e o que fazia sentada na calçada... Ao abrir os olhos percebeu olhares curiosos, pessoas que antes a ignoravam estavam perplexas com sua atitude.

Naquele momento ela percebeu que todos a exergavam, e percebeu também que isso só foi possível quando ela mesma ouviu sua voz e olhou para si...

Levantando calmamente foi embora, deixando para trás vozes e olhares curiosos, no entanto para ela não importava mais, pois ela sabia quem realmente era...




segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Conquista...


Todos os dias ao final da tarde era o mesmo ritual para aquele homem... Ele sentava-se na varanda e esperava pela visitante já conhecida.



Antes o homem ficava dentro de casa, apenas observando, sem tomar nenhuma atitude, apenas lembrando da primeira vez em que havia visto aquela égua selvagem... Depois de um tempo ele teve a certeza de que ela seria dele. 


 
Ela vinha todas as tardes, sempre curiosa, procurando algo... Esperando por algo. O homem sentiu naquele momento que ela também havia percebido que existia uma ligação entre eles. Normalmente os cavalos daquela região eram os mais ariscos, no entanto aquela égua em especial lhe transmitia um certo encantamento, e ele percebia que este sentimento era recíproco, apesar do animal viver na natureza, ela também mantinha uma forte admiração por ele.


 
Com o tempo os dois foram se aproximando cada vez mais... No entanto qualquer toque poderia por tudo a perder, o homem tinha medo de assustá-la e ela nunca mais voltar, então decidiu que só a observaria... Pelo menos por enquanto...


 
O animal tinha profundas cicatrizes pelo corpo, cicatrizes estas que foram provocadas por outras tentativas de aproximação com o ser-humano, no entanto o homem estava tão obcecado pela aparente beleza do animal que não havia percebido o sofrimento em seus olhos. O medo em confiar mais uma vez...


Com o passar dos dias, este medo foi desaparecendo, dando lugar a confiança, e o homem percebendo isso, se aproximou ainda mais... Naquele momento a égua mostrava esperança, de que aquela aproximação seria diferente.


Uma tarde ele resolveu que chegaria ainda mais perto, decidiu que seria o momento de finalmente tocá-la, domá-la... No entanto a égua se assustou, o homem viu em seus olhos medo, talvez medo de que algo se repetisse... Ele não entendeu os sinais, ela empinou e violentamente atingiu seu braço esquerdo, o jogando a alguns metros de onde estava.


Naquele momento, podia-se ver o arrependimento nos olhos do animal e ódio nos olhos do homem... Ela queria ser livre, mas também queria alguém a quem pudesse confiar que a protegesse quando necessário... Mas percebeu que isto nunca aconteceria.


A égua ainda ficou parada por alguns minutos, esperando que o homem percebesse sua natureza e tentasse a aproximação mais uma vez... Mas não foi o que ela recebeu, palavras foram ditas de forma cruel, o ódio ainda existia, e ela percebeu que ele desejava algo fácil, sem obstáculos...

Ele gritava, mas ela não entendia exatamente que palavras eram ditas, pois talvez estas palavras eram desconhecidas para ela... Depois de um tempo o homem ficou em silêncio e fechou os olhos, ignorando-a...


 
Quando os abriu, o animal já estava longe... Ele nunca saberia o que ela pensou naquele pouco tempo em que estiveram juntos, será que ela tinha entendido todas as palavras? Sua verdadeira intenção?

A égua corria livre pelo pasto, como sempre havia feito durante toda a sua vida... Ela nunca saberia o que ele disse realmente para ela naquele momento de fúria, será que o homem em algum momento realmente entendeu sua natureza? Será que em algum momento ele realmente se importou com ela? Importou-se em saber o que teria que fazer para conquistá-la? Naquele momento ela percebeu que tudo poderia ter sido uma ilusão... Se ela soubesse exatamente o que ele pensava, talvez tudo fosse diferente...


O homem continuava parado esperando que a égua voltasse, o servisse... E a égua esperava que o homem a alcançasse e a conquistasse... Os dois talvez nunca tivessem seus desejos realizados... E naquele dia o sol se pôs mais uma vez.




sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Marionete...


Todas as noites era o mesmo sonho... Ela estava presa a grossos fios que a suspendiam no ar... Tudo estava escuro, o que fazia a situação ficar ainda mais confusa...

Todos os dias ela acordava com marcas pelo corpo, exatamente nos locais em que as cordas de seu sonho estavam amarradas...

Ela não conseguia entender como isto acontecia... Se era apenas um sonho, como os ferimentos eram reais? No entanto era algo sem importância, nunca fora levado a sério...

A cada noite ela tentava se libertar das cordas, mas a cada corda arrebentada, uma nova surgia sendo amarrada ainda mais forte... Depois de um tempo a dor se tornou comum.

Naquela noite o medo se apossara de seu corpo, ela não sabia a que ponto aquele sonho era real... O que poderia acontecer enquanto dormia? Esta era sua principal dúvida... Apesar do medo ela acabou adormecendo, mas desta vez o sonho foi um pouco diferente...

Ela estava no mesmo lugar, mas a iluminação estava bem melhor do que nos sonhos anteriores, ela pode ver exatamente onde as cordas estavam amarradas, presas em pedaços de madeira e sendo manipuladas por uma mão desconhecida... Ela tentou identificar de quem eram estas mãos, mas quando olhou para cima, uma nova corda surgiu, prendendo seu pescoço e não permitindo mais nenhum movimento...

As cordas foram se tornando mais apertadas até que sua pele começou a ser cortada, e a dor se tornou insuportável... Quando ela percebeu que não havia mais como escapar, fechou os olhos rezando para que a manhã chegasse a tirando daquele pesadelo.

Quando acordou algo estava diferente... Todo seu corpo estava dormente e frio... Quando olhou para os lados percebeu seus pulsos cortados... Levando as mãos a garganta, sentiu um grande corte onde em seu sonho antes havia uma corda...

Ela percebeu o que aquele sonho representava, ou estaria presa para sempre a algo que não conhecia ou se libertaria através da morte... Fechando os olhos ela adormeceu, e pela primeira e última vez não houve sonhos...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Tempo


Tempo... Conte-me toda a verdade,
A verdade que nunca foi dita,
A verdade que nunca foi escrita.

Tempo... Faça o que eu não tive coragem em fazer,
Diga o que eu não tive coragem em dizer,
Mas Tempo... Faça-me entender.

Talvez seja tarde,
Talvez tudo esteja perdido,
Mas Tempo... Faça-me entender.

Em muitos momentos as memórias tornaram-se cruéis,
Em muitos momentos as defesas foram quebradas,
Agora me diga Tempo... Qual é a verdade?

Penso em seu nome... Mas você pensa no meu?
Digo seu nome... Mas você diz o meu?
Procuro por seu nome... Mas você procura pelo meu?

Percebo em alguns momentos o silêncio,
Quando percebo, as memórias tornam-se cruéis
E agora Tempo... Diga-me a verdade.

domingo, 7 de agosto de 2011

Como esquecer?


Como esquecer?
Como esquecer o que parece já ter sido esquecido?
Somente parece ou realmente foi?

Como saber?
Como saber se faço parte do passado ou do futuro?
Como saber se nunca fui parte do passado ou do futuro?
Como saber o que é o certo?

Agora parece que não importa mais,
Agora parece que não estou nem no passado e nem no futuro,
E não apenas parece, mas a cada dia tenho mais certeza.

Que regras devo quebrar?
Quebrei tantas ao confiar,
Quebrei tantas ao me envolver,
Agora uma regra deve ser quebrada, tentar e conseguir esquecer...

Vivo para tentar entender,
Vivo para tentar aceitar,
Vivo para tentar esquecer.

A cada dia tenho mais certeza do que sinto,
A cada dia tento mudar a pessoa que me tornei e assim parar de sentir,
A cada dia quem me fez assim, parece querer que eu não sinta...

Quero não esquecer,
Quero continuar quebrando regras,
Quero ser o passado e o futuro,
Mas querer agora não significa nada.
Querer parece não importar mais.
E não apenas parece, mas a cada dia tenho mais certeza.

Não sei se sou passado ou futuro,
Agora devo esquecer o que já foi esquecido,
Agora uma última regra deve ser quebrada,
Agora devo viver por mim mesma, por mais que não queira...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Queda...



Todas as noites ela tinha o mesmo sonho... A mesma luta era travada para salvar sua própria vida.

Neste sonho ela estava em um grande penhasco, apenas uma fina ponte separava um lado do outro, quando ela olhava para baixo havia um mar com rochedos afiados, esperando para que seu corpo perdesse o equilíbrio e a fizesse cair.

Todas as noites ela tinha o mesmo sonho... Atravessando a ponte avistava um estranho homem que a esperava do outro lado, no inicio parecia alguém confiável. Ao se aproximar, este estranho adotava um semblante frio e vazio e tudo mudava.

Ao olhar para trás a mulher percebia que não podia voltar, a ponte se desmanchava a cada passo e não havia outra forma se não seguir em frente, a partir deste momento seu medo se tornava mais forte.

Nos últimos passos ela caia, e sempre conseguia se agarrar a algo, quando ela olhava para cima em busca de ajuda aquele estranho finalmente se aproximava, a segurava e sorria, e naquele momento ela sentia que finalmente sua vida poderia ser salva, mas não era o que acontecia.

Todas as noites ela tinha o mesmo sonho... Aquele estranho a olhava sorrindo, em seguida seu olhar vazio aparecia novamente, e ele a deixava cair, direto para a morte.

Cada manhã ela acordava assustada e não entendia como se livrar deste sonho, tinha medo que um dia ele se tornasse real e ela nunca mais acordasse. Mas ela sabia que deveria fazer algo, principalmente em relação aquele homem.

Naquela noite foi diferente, ela havia decidido que tomaria suas próprias decisões e não seria dominada. Não demorou muito para adormecer, e mais uma vez o mesmo sonho apareceu para lhe atormentar...
Ela já estava no meio da ponte, e avistava aquele estranho mais uma vez, com as mesmas características... Mas hoje seria diferente, ela poderia morrer, mas não seria pelas mãos dele.

A mulher percebeu a raiva do homem quando não a tinha em suas mãos, ele por algum motivo ficou parado gritando e ela não entendia o por quê, e nem quais eram as suas palavras, mas sabia que eram de ódio, pois ele não tinha mais o controle sobre ela.

A ponte desmoronava agora pelos dois lados, e a mulher fechou os olhos... Não com medo, o que não existia mais, no entanto os fechou e chegou a um estado em que somente sua respiração era ouvida. Ao abri-los já era dia, e ela se encontrava em segurança em seu quarto.

Por muitas noites ela havia tido o mesmo sonho... E na noite seguinte foi a primeira em que ela estava totalmente livre e dormiu finalmente em paz.  

terça-feira, 7 de junho de 2011

Uma espera...


Todos os dias ela passava por um mesmo local a caminho do trabalho, era um porto, composto por diversos barcos ancorados e pescadores que ao final da tarde voltavam para casa e suas famílias.

Cada vez ela observava uma mesma senhora encarando o horizonte, como se esperasse por algo, ou por alguém, o que era mais provável... Esta senhora aparentava cerca de 80 anos ou mais, a mulher não tinha certeza... Mas sabia que sua curiosidade era mais forte... Naquele dia ela saberia finalmente o que a senhora esperava.

Se aproximando não foi difícil começar o assunto, assim que seus olhares se encontraram a senhora sorriu permitindo a conversa...

- Olá! A senhora esta esperando alguém voltar do mar?
- Ah sim... Todos os dias espero meu marido voltar.

A primeira informação mostrou ser a correta, agora ela sabia quem a senhora esperava.

- Ele sai todas as manhãs para pescar?
-Ele fazia isso, mas um dia disse que iria para o mar, mas nunca mais voltou...

Naquele momento a mulher não sabia o que falar, seria possível que aquela senhora estava falando a verdade?

-Mas há quanto tempo ele foi?
-Hoje faz 30 anos...

A senhora ao falar o tempo, olhou novamente para o horizonte respirando fundo e olhando mais uma vez a mulher parada.

-Mas ele nunca mais deu noticias?
-Oh não... Nós brigamos um pouco antes de ele ir embora, ele disse que nunca mais voltaria, mas eu ainda continuo esperando...

A mulher percebeu que não era apenas um acidente que havia ocorrido... Aquela senhora poderia ter sido abandonada, e ainda acreditava que seu marido voltaria... Neste momento o único sentimento que se manifestou nela, foi pena.

-Mas a senhora ainda o espera?
-Claro que sim, eu o amo, o que poderia fazer? Você já amou alguém assim? Existe alguém que você também espera?

Neste momento ela se lembrou de sua vida, quantas vezes havia esperado por algumas pessoas, ou por algo, será que o certo seria isso? Ou ela deveria simplesmente seguir em frente e esquecer o que não havia dado certo? Ela não gostaria de ser como aquela senhora, e esta possibilidade a atormentava.

-Existe... Mas talvez eu não espere como a senhora, talvez seja a hora de seguir em frente.
-Mas você acha que eu fiz errado, em esperar por todos estes anos?

A mulher percebeu o desespero no olhar da senhora, ela sabia qual deveria ser a resposta, sentiu que deveria dizer a verdade, o quanto aquela vida havia sido desperdiçada, mas percebeu que aquilo a mantinha viva e com esperança...

-Não... A senhora fez exatamente o que era o certo, em alguns momentos devemos esperar por algo.
-É exatamente o que eu penso! Obrigada por me entender...

A senhora olhou com gratidão para a mulher, pois sabia que talvez aquela resposta não fosse a verdade, no entanto era a certa para alguém que só tinha aquele momento como forma de esperança.

As duas se despediram, a mulher sabia que aquela senhora ainda ficaria por muito tempo esperando, mas ela sabia também que aquele momento havia servido para que ela percebesse o que não devia esperar em sua vida, que deveria seguir em frente, e se no futuro encontrasse novamente o que havia deixado para trás, seja pessoas ou situações, ai sim ela saberia que poderia lutar e ter esperanças, pois saberia que não somente ela havia mudado ou lutado, mas tudo o que estava em sua volta...

sábado, 7 de maio de 2011

Selvagem...


Todos os dias ao final da tarde ela caminhava pelo campo, observando de longe um bando de cavalos selvagens, eram aproximadamente 20 no total, ela não tinha certeza... Entretanto havia uma que lhe despertava mais atenção.

Era uma fêmea toda marrom, com as pontas das patas brancas e uma grande cicatriz do lado esquerdo no peito. Ela sabia que era a mais arisca do bando, sempre sozinha, sempre curiosa, procurando algo...


Ela conhecia homens que sempre caçavam estes animais, sua preocupação não era com os outros, mas sim com aquela égua que apesar de ser a mais desconfiada, também era a mais curiosa sendo uma presa fácil.


No dia seguinte em sua visita, a mulher percebeu que sua preferida não estava com o restante, com grande desespero ela percorreu todo o campo, observando possíveis rastros, até que encontrou o corpo do animal sem vida, deitado próximo a uma árvore.




Era a primeira vez que ela tinha um contato tão próximo, mas nunca imaginou que este contato seria desta forma, naquele momento preferiu que isto nunca tivesse acontecido. Se aproximando mais do corpo sem vida, percebeu marcas profundas, laços com pontas arrebentadas estavam amarradas pelo corpo do animal, pelo estilo da armadilha e dos ferimentos ela percebeu que os caçadores haviam tentado capturá-la, ela tinha sido morta provavelmente por sua curiosidade, por um momento de confiança.

A mulher se deitou sobre a égua, e chorou, lembrou de toda a liberdade que este animal representava, como ela em alguns momentos desejava ser assim, sem amarras, livre de qualquer sentimento que a escraviza-se. Em um pequeno instante desejou com todas as suas forças que sua vida fosse a da égua, que sua energia se transferisse para aquela criatura morta. Depois de alguns minutos ela adormeceu.


Na manhã seguinte os caçadores foram ao local e encontraram um corpo sem vida, mas não o que havia sido abandonado. Eles não entendiam o que estava acontecendo, uma mulher com grandes ferimentos pelo corpo, laços amarrados, e uma grande cicatriz do lado esquerdo do peito. A égua não estava mais lá, foi como se nunca estivesse.

Os homens assustados e decididos a nunca mais voltar naquele campo, foram embora, no caminho um deles avistou ao longe o bando, por um momento viu a égua que matara correndo livre, como se nada tivesse acontecido... Só parecia diferente, não havia mais a cicatriz em seu peito, e nem o medo em seus olhos, apenas a liberdade. Quando ele voltou com os outros para mostrar o que havia visto, o bando  já havia sumido.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Redenção...


Já fazia alguns dias que ela estava presa naquele buraco... Era cercado por raízes e folhas mortas.

Fora jogada naquele lugar por um homem estranho, não o conhecia nem sabia quais eram suas reais intenções.  Só o que sabia no momento é que não morreria de fome nem de sede, ao menos por enquanto...

Todos os dias, aquele estranho a visitava e a alimentava, indo embora em seguida, sem nenhuma palavra ou explicação, apenas a observava enquanto ela pedia ajuda ou gritava por socorro. Durante as noites ela ficava sozinha, pensando em tudo que fizera em sua vida, e nas chances perdidas... Se pudesse voltaria atrás em tudo que foi perdido ou não dito...

Ela não sabia mais o que fazer, seus medos estavam se tornando cada vez mais fortes. E naquele dia o medo estava se tornando mais intenso, o homem a observava já havia uma hora, sem palavras ou gestos, por fim sorriu pela primeira vez durante todo aquele tempo. O medo se tornou quase insuportável, pois ela sabia que o pior poderia acontecer.

Unindo todas as suas forças, começou a escalar, no inicio era praticamente impossível, tentando se agarrar nas raízes podres e terra ao seu redor, mas ela tinha um objetivo, sabia o que queria e iria lutar até a morte se fosse preciso.

Chegando ao topo, ela viu o estranho, sorrindo, naquele momento ele segurou sua mão com tanta força que por um instante ela achou que sua vida estava em risco... Mas ele não fez nada, apenas a encarou, puxando-a para fora do buraco, envolvendo-a em um cobertor velho e colocando-a de pé.

Ela não entendia o que estava acontecendo, apenas as últimas palavras daquele estranho foram decisivas para sua vida...

“Em muitos momentos de sua existência as pessoas sem motivo algum irão jogá-la fora, enterrando-a em algum lugar ou colocando você em buracos que você mesma cavou. No inicio sentirá medo, e perceberá que elas nunca irão te ajudar em nada, apenas olharão seu sofrimento e irão embora. Só dependerá de você continuar naquela situação e ser vencida pelo sofrimento ou tomar atitudes que definirão seu futuro. Nunca esqueça que só você terá poder sobre sua própria vida, mais ninguém”.

Naquele momento ela entendeu o que aquilo representava, as escolhas mal feitas vieram a tona, as oportunidades perdidas, e tudo que ela passou colocando a culpa em outros, culpa esta que só ela era a responsável...

Absorvida em seus pensamentos, não percebeu quando o estranho foi embora, não sabia quem era, e nem seu nome. Mas não importava, naquele momento somente ela seria dona e responsável por sua vida e escolhas...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Uma Palavra...


Todos os dias ela acordava acreditando que finalmente teria a coragem em dizer o que tanto desejava...

Todos os dias a monotonia invadia sua vida. Vida que estava sendo governada por outras pessoas.

Parecia simples, mas apenas uma palavra resolveria tudo...

Não...

Ela não entendia como uma palavra de aspecto tão negativo teria um resultado tão benéfico...

Ela sonhava com o dia em que não aceitasse o que os outros queriam. Não acreditasse em tudo que as pessoas diziam e o mais importante... Não ignorasse seus sentimentos.

Todos os dias ela acordava... Esperando não viver de outra maneira a não ser da sua.

Tudo isto através de uma palavra... Não.