sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Prova final


O homem prepara o veneno com cuidado. Seus olhos mostram sofrimento, seu coração é rasgado a cada gota do liquido que cai sobre o vinho.  

Subindo as escadas a cada degrau lembra-se de sua vida, seu amor perdido. A vida que nunca mais terá.

Entra no quarto com o copo tremendo entre os dedos... Na cama, deitada, a única mulher que amou, respira com dificuldade. Sua mão, ao vê-la, treme ainda mais quase derrubando o copo.

A mulher o olha com o sofrimento estampado no rosto. Tenta falar, mas não consegue a doença lhe tomou todas as forças. O homem se dirige até a cama, se abaixando e beijando a face magra.

Senta ao seu lado e a toca, sentindo seus ossos sob a pele fria e áspera. Seu amor por ela é tão grande que ele a está deixando ir embora. Ela toma um pouco da bebida preparada por ele e agradece com o olhar. Não consegue falar, apenas gemidos saem da sua boca.

Depois de alguns minutos, sua respiração se torna pesada, seus olhos se fecham e a dor desaparece, pois a morte acaba de entrar em seu corpo.

O homem agora chora, pois seu único amor, a única pessoa que lhe devolveu a vida vai embora. Agora é tarde para lamentar... Desesperado olha o restante da bebida e decide que não irá abandoná-la novamente.

Deita ao lado do corpo sem vida, frio... Suas mãos tremem ainda mais, mas consegue beber o que resta do liquido maldito. Pega por fim na mão que esta ao seu lado. Seu corpo começa a amolecer, como último pensamento se sente feliz, pois nunca mais irá ficar sozinho, e os dois estarão juntos para sempre...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Desejo e medo


Seus olhos brilham no escuro,
Sua voz percorre meu corpo entrando como uma faca com a lâmina recém afiada.
Seu corpo por um instante permanece estendido no chão...
Parece sem vida, sem movimento...


O toco, e sinto sua respiração...
Meu desejo se torna mais forte.

Um cheiro característico percorre o ambiente.
Fechando os olhos tento identificá-lo...
É o cheiro da morte, do medo.

Seus olhos brilham no escuro,
Percebo que este medo é meu... 
Esta morte, talvez seja para mim...

Agora é tarde demais...
Você é como a morte... 
Mas meu desejo é mais forte.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Morte


O pássaro cantava uma música de adeus... Seus pequenos olhos percorriam o quarto a procura de algo... Já fazia alguns dias que sua visita era algo constante, intensa. Sua visita era a única coisa que se tornara algo real.

Sozinha na cama, em um quarto frio e sem vida, uma mulher deitada com pés frios e rígidos, frios como seus sentimentos, suas esperanças...

O sol entrando pela vidraça da janela, já se tornara um inimigo, a cada toque em seu corpo, a dor se tornava cada vez mais insuportável. Entretanto a dor se tornara também uma companhia...

Seu corpo doía ao contato de uma pequena brisa, por isso a janela fechada, por isso o pássaro observava de longe...

Sozinha na cama, a mulher com uma foto desgastada pelo tempo em seu peito. A foto do único homem que a amou, mas também o único que a feriu com suas palavras...

Talvez não o visse mais, não sentisse mais o seu cheiro, mas ainda sentia sua presença, a loucura a dominava a cada dia.

Sozinha na cama, agora a morte como companhia, morte lenta, rindo de seus pecados, seus sonhos destruídos.

O pássaro continuava a cantar cada vez mais fraco, o ar dentro do quarto se tornava cada vez mais pesado, a dor finalmente acabara...

Sozinha na cama, um corpo sem vida que o pássaro observou. Suas visitas nunca mais seriam percebidas...
 
 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

7 Vidas


Desejo viver de forma plena os 7 dias da semana...
Desejo observar os 7 dias de cada fase do luar...
Por 7 dias minhas células demoram a renovar...
Com as 7 notas musicais desejo olhar as 7 cores do arco-íris...

Quero conhecer as 7 maravilhas do mundo...
Será que tenho 7 vidas também?

Com alma de felino, brinco, pulo, caço...
Não sou dominada e muito menos guiada...
Preciso ser conquistada, vou quando quero e aonde quero.

Com alma de felino, possuo 7 vidas...