segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Conquista...


Todos os dias ao final da tarde era o mesmo ritual para aquele homem... Ele sentava-se na varanda e esperava pela visitante já conhecida.



Antes o homem ficava dentro de casa, apenas observando, sem tomar nenhuma atitude, apenas lembrando da primeira vez em que havia visto aquela égua selvagem... Depois de um tempo ele teve a certeza de que ela seria dele. 


 
Ela vinha todas as tardes, sempre curiosa, procurando algo... Esperando por algo. O homem sentiu naquele momento que ela também havia percebido que existia uma ligação entre eles. Normalmente os cavalos daquela região eram os mais ariscos, no entanto aquela égua em especial lhe transmitia um certo encantamento, e ele percebia que este sentimento era recíproco, apesar do animal viver na natureza, ela também mantinha uma forte admiração por ele.


 
Com o tempo os dois foram se aproximando cada vez mais... No entanto qualquer toque poderia por tudo a perder, o homem tinha medo de assustá-la e ela nunca mais voltar, então decidiu que só a observaria... Pelo menos por enquanto...


 
O animal tinha profundas cicatrizes pelo corpo, cicatrizes estas que foram provocadas por outras tentativas de aproximação com o ser-humano, no entanto o homem estava tão obcecado pela aparente beleza do animal que não havia percebido o sofrimento em seus olhos. O medo em confiar mais uma vez...


Com o passar dos dias, este medo foi desaparecendo, dando lugar a confiança, e o homem percebendo isso, se aproximou ainda mais... Naquele momento a égua mostrava esperança, de que aquela aproximação seria diferente.


Uma tarde ele resolveu que chegaria ainda mais perto, decidiu que seria o momento de finalmente tocá-la, domá-la... No entanto a égua se assustou, o homem viu em seus olhos medo, talvez medo de que algo se repetisse... Ele não entendeu os sinais, ela empinou e violentamente atingiu seu braço esquerdo, o jogando a alguns metros de onde estava.


Naquele momento, podia-se ver o arrependimento nos olhos do animal e ódio nos olhos do homem... Ela queria ser livre, mas também queria alguém a quem pudesse confiar que a protegesse quando necessário... Mas percebeu que isto nunca aconteceria.


A égua ainda ficou parada por alguns minutos, esperando que o homem percebesse sua natureza e tentasse a aproximação mais uma vez... Mas não foi o que ela recebeu, palavras foram ditas de forma cruel, o ódio ainda existia, e ela percebeu que ele desejava algo fácil, sem obstáculos...

Ele gritava, mas ela não entendia exatamente que palavras eram ditas, pois talvez estas palavras eram desconhecidas para ela... Depois de um tempo o homem ficou em silêncio e fechou os olhos, ignorando-a...


 
Quando os abriu, o animal já estava longe... Ele nunca saberia o que ela pensou naquele pouco tempo em que estiveram juntos, será que ela tinha entendido todas as palavras? Sua verdadeira intenção?

A égua corria livre pelo pasto, como sempre havia feito durante toda a sua vida... Ela nunca saberia o que ele disse realmente para ela naquele momento de fúria, será que o homem em algum momento realmente entendeu sua natureza? Será que em algum momento ele realmente se importou com ela? Importou-se em saber o que teria que fazer para conquistá-la? Naquele momento ela percebeu que tudo poderia ter sido uma ilusão... Se ela soubesse exatamente o que ele pensava, talvez tudo fosse diferente...


O homem continuava parado esperando que a égua voltasse, o servisse... E a égua esperava que o homem a alcançasse e a conquistasse... Os dois talvez nunca tivessem seus desejos realizados... E naquele dia o sol se pôs mais uma vez.




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