sábado, 7 de maio de 2011

Selvagem...


Todos os dias ao final da tarde ela caminhava pelo campo, observando de longe um bando de cavalos selvagens, eram aproximadamente 20 no total, ela não tinha certeza... Entretanto havia uma que lhe despertava mais atenção.

Era uma fêmea toda marrom, com as pontas das patas brancas e uma grande cicatriz do lado esquerdo no peito. Ela sabia que era a mais arisca do bando, sempre sozinha, sempre curiosa, procurando algo...


Ela conhecia homens que sempre caçavam estes animais, sua preocupação não era com os outros, mas sim com aquela égua que apesar de ser a mais desconfiada, também era a mais curiosa sendo uma presa fácil.


No dia seguinte em sua visita, a mulher percebeu que sua preferida não estava com o restante, com grande desespero ela percorreu todo o campo, observando possíveis rastros, até que encontrou o corpo do animal sem vida, deitado próximo a uma árvore.




Era a primeira vez que ela tinha um contato tão próximo, mas nunca imaginou que este contato seria desta forma, naquele momento preferiu que isto nunca tivesse acontecido. Se aproximando mais do corpo sem vida, percebeu marcas profundas, laços com pontas arrebentadas estavam amarradas pelo corpo do animal, pelo estilo da armadilha e dos ferimentos ela percebeu que os caçadores haviam tentado capturá-la, ela tinha sido morta provavelmente por sua curiosidade, por um momento de confiança.

A mulher se deitou sobre a égua, e chorou, lembrou de toda a liberdade que este animal representava, como ela em alguns momentos desejava ser assim, sem amarras, livre de qualquer sentimento que a escraviza-se. Em um pequeno instante desejou com todas as suas forças que sua vida fosse a da égua, que sua energia se transferisse para aquela criatura morta. Depois de alguns minutos ela adormeceu.


Na manhã seguinte os caçadores foram ao local e encontraram um corpo sem vida, mas não o que havia sido abandonado. Eles não entendiam o que estava acontecendo, uma mulher com grandes ferimentos pelo corpo, laços amarrados, e uma grande cicatriz do lado esquerdo do peito. A égua não estava mais lá, foi como se nunca estivesse.

Os homens assustados e decididos a nunca mais voltar naquele campo, foram embora, no caminho um deles avistou ao longe o bando, por um momento viu a égua que matara correndo livre, como se nada tivesse acontecido... Só parecia diferente, não havia mais a cicatriz em seu peito, e nem o medo em seus olhos, apenas a liberdade. Quando ele voltou com os outros para mostrar o que havia visto, o bando  já havia sumido.