Todas as noites ela tinha o mesmo sonho... A mesma luta era travada para salvar sua própria vida.
Neste sonho ela estava em um grande penhasco, apenas uma fina ponte separava um lado do outro, quando ela olhava para baixo havia um mar com rochedos afiados, esperando para que seu corpo perdesse o equilíbrio e a fizesse cair.
Todas as noites ela tinha o mesmo sonho... Atravessando a ponte avistava um estranho homem que a esperava do outro lado, no inicio parecia alguém confiável. Ao se aproximar, este estranho adotava um semblante frio e vazio e tudo mudava.
Ao olhar para trás a mulher percebia que não podia voltar, a ponte se desmanchava a cada passo e não havia outra forma se não seguir em frente, a partir deste momento seu medo se tornava mais forte.
Nos últimos passos ela caia, e sempre conseguia se agarrar a algo, quando ela olhava para cima em busca de ajuda aquele estranho finalmente se aproximava, a segurava e sorria, e naquele momento ela sentia que finalmente sua vida poderia ser salva, mas não era o que acontecia.
Todas as noites ela tinha o mesmo sonho... Aquele estranho a olhava sorrindo, em seguida seu olhar vazio aparecia novamente, e ele a deixava cair, direto para a morte.
Cada manhã ela acordava assustada e não entendia como se livrar deste sonho, tinha medo que um dia ele se tornasse real e ela nunca mais acordasse. Mas ela sabia que deveria fazer algo, principalmente em relação aquele homem.
Naquela noite foi diferente, ela havia decidido que tomaria suas próprias decisões e não seria dominada. Não demorou muito para adormecer, e mais uma vez o mesmo sonho apareceu para lhe atormentar...
Ela já estava no meio da ponte, e avistava aquele estranho mais uma vez, com as mesmas características... Mas hoje seria diferente, ela poderia morrer, mas não seria pelas mãos dele.
A mulher percebeu a raiva do homem quando não a tinha em suas mãos, ele por algum motivo ficou parado gritando e ela não entendia o por quê, e nem quais eram as suas palavras, mas sabia que eram de ódio, pois ele não tinha mais o controle sobre ela.
A ponte desmoronava agora pelos dois lados, e a mulher fechou os olhos... Não com medo, o que não existia mais, no entanto os fechou e chegou a um estado em que somente sua respiração era ouvida. Ao abri-los já era dia, e ela se encontrava em segurança em seu quarto.
Por muitas noites ela havia tido o mesmo sonho... E na noite seguinte foi a primeira em que ela estava totalmente livre e dormiu finalmente em paz.