sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Liberdade


Um homem sentado na ponte olhava para baixo a procura de algo... Talvez de uma resposta, uma resposta que nem ele sabia quando viria...

As águas do rio se moviam ferozmente prevendo uma tempestade que logo apareceria...


Ele continuava a fitar a água, não mais com dúvida ou medo, sua decisão já havia sido tomada, só estava esperando o momento certo.

Os primeiros pingos de chuva começaram a cair sobre a pele cansada e enrugada, neste momento o homem decidiu que deveria subir no ponto mais alto da ponte, havia chegado o momento...

Abrindo os braços sentiu a chuva por todo o seu corpo, lavando sua alma, tudo que havia de ruim em seus pensamentos. O único pensamento que tinha era a liberdade, liberdade esta que fez com que todos os seus problemas se tornassem parte da água e fossem embora.

Abriu os braços mais ainda e pulou...

Caindo novamente no asfalto, Sorriu. Começou a caminhar, estava voltando finalmente para casa, e junto o melhor sentimento que havia presenciado em toda a sua vida... Liberdade.


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Estranhos


Todos os dias ela se sentava no mesmo banco da praça, já era algo comum no horário do almoço. Não gostava de freqüentar restaurantes e nem acompanhar seus colegas de trabalho... Estava sozinha e gostava de continuar assim... Talvez a solidão fosse algo tão comum, que outra forma de vida era estranha aos seus olhos.

Do outro lado, um homem tinha o mesmo costume... Várias vezes a mulher observou aquele estranho que talvez compartilhasse um mesmo sentimento. Será que ele gostava da solidão? Será que ele se acostumara a ela também? Por mais que gostasse de estar sozinha sua curiosidade estava ficando a cada dia maior...

Hoje ela havia tomado uma perigosa decisão, ao menos para ela. Sentaria no mesmo banco que aquele homem. Talvez conversassem, trocassem algumas idéias... Ela já imaginava que os dois poderiam ter muitas coisas em comum, teve certo receio, mas estava decidida, hoje seria diferente...

Chegando à praça avistou de longe o solitário homem, no mesmo lugar... Foi caminhando decidida direto ao banco em que ele estava sentado. Sentou ao seu lado e começou a desembrulhar silenciosamente seu almoço. Ao mesmo tempo pensava desesperadamente em algo para começar uma conversa. Seria sobre o tempo? Muito fútil... Algo sobre política? Não... Delicado demais... Ela não sabia, o desespero foi aumentando, já estava arrependida da decisão que havia tomado.

Derrepente seu pacote de biscoitos caiu no chão, quando ela viu o que havia acontecido, o estranho já se debruçava para pega-lo, entregando a ela, sorrindo... Ela não sabia se naquele momento falava algo ou apenas sorria. Escolheu a segunda opção. Os dois se olharam por alguns momentos, somente pelo olhar se comunicaram, sabiam que a companhia um do outro era o suficiente, sem palavras, sem questionamentos. Apenas o silêncio...

Continuaram a comer, sem nenhuma palavra entre eles, apenas a cumplicidade de algo que somente eles entendiam... 


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Engano



Aquele pedaço de papel representava todo o sofrimento que uma pessoa poderia suportar... Pelo menos para ela.

Para quem estava de fora, não parecia grande coisa. Era pequeno, um pedaço estava rasgado, faltava o restante da frase... Mas isso não importava, para aquela mulher tudo estava claro.

O homem que tanto amava estava a abandonando, aquelas palavras nunca antes foram imaginadas. Ela não entendia...

Tudo acabou...” estas duas palavras poderiam ter sido ao menos pronunciadas, acompanhadas de uma explicação. Por que era tão difícil? Ela não entendia... Mas agora isso não importava, pois sua decisão já tinha sido tomada desde que teve em suas mãos aquele bilhete.

Na banheira com um navalha na mão, antes parecia tão fácil, mas agora só existia o medo, mas ela deveria continuar mesmo assim, seria tarde para voltar... Olhou pela última vez o papel rasgado, e tomou a decisão... A morte seria a melhor alternativa...


Do outro lado da cidade, um homem comprava duas passagens de avião para Espanha. Fazia algum tempo que esta viagem estava sendo adiada...

Pegando o cartão de crédito encontrou um pedaço de papel no bolso “... nossas férias serão mais cedo”. Lembrou do bilhete que deveria estar em cima da mesa. Tentou se lembrar como sua metade foi parar em seu bolso, mas não conseguiu. Isso não importava, daqui a pouco estaria em casa...


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Armadilha


Presa em uma armadilha que ela mesma criou... Seus sonhos se tornaram uma doença e sua cura agora se torna algo impossível.

Pela janela do quarto ela acompanha o movimento das pessoas pela rua... Cada pessoa possui uma história, ela gosta de imaginar isso. Talvez seja o único momento em que a armadilha se torna mais fraca. Seus pensamentos não possuem forma, são livres...

Ao final do dia, quando a noite chega não há nada para observar. Este é o pior momento. Quando o tempo para e o sofrimento se inicia.

No inicio eram apenas pensamentos aleatórios, mas agora é algo constante, intenso, sem controle.

Todos os seus amigos dizem que isso irá passar, mas eles não podem entender o que ela sente, apenas ela está presa em uma armadilha.

Tentando gritar, acorda assustada. Já são 9 noites sem dormir, os pensamentos estão cada vez mais fortes. Será que conseguirá agüentar mais uma noite?

Isso não importa, as amarras que ela mesma criou a impedem de lutar, o que resta? Para ela, só esperar que tudo isto finalmente acabe...

Talvez amanhã? Quem sabe? Para ela será só mais uma noite...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Medo


Ela fecha os olhos e sente um gosto amargo...
O vento se torna frio e pesado sobre seus ombros...
Criaturas estão atrás de uma vida...
O medo aparece em seus olhos, procurando sua alma perdida, sua fé...

Fé que tudo irá terminar quando finalmente acordar...
Mas não é um sonho, não é delírio...

Criaturas estão cada vez mais próximo.
Querem sua alma, sua fé, sua vida...

Tudo acaba tão rápido como teria começado...
Nada é real.

Foi descoberto tarde demais, pois o medo acaba de matá-la.