sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Solidão


Ele já havia se acostumado com a solidão por muito tempo, sendo que a aproximação de outras pessoas em alguns momentos se tornara um sofrimento. Não sabia como agir nem o que falar.

Todo o dia gastava algumas horas em frente ao espelho treinando seu comportamento, modos e ações. Tudo era cuidadosamente calculado. Esta ação já se tornara uma doença, mas também era sua única segurança.

Quando saia de casa, sabia com quem iria falar e sobre o que, sua rotina não poderia ser alterada, e um desespero se apossava de seu corpo, quando este pensamento se aproximava.

Naquele dia sentado em frente ao mar, pensava nas coisas que poderia estar perdendo com este comportamento tão presente durante toda sua vida. Não agüentou mais a realidade e chorou, olhando para o lado viu uma mulher sorrindo, vestida de branco. Era estranho, pois ele não a tinha visto quando chegou somente a solidão era sua companhia...

Em seguida uma criança veio correndo até a mulher, uma menina aparentando seis anos ou menos, ele não sabia. Ela se jogou nos braços da mulher e depois saiu correndo pela praia, gritando e rindo, parecia que não havia preocupações em sua mente, tudo era perfeito...

Em seguida a criança voltou ao colo da mulher, naquele momento o homem já tinha certeza que eram mãe e filha, pelo menos a sua relação transparecia certa cumplicidade. As duas se levantaram e passaram pelo homem, desaparecendo diante de seus olhos.

Ele não acreditava no que via, ou pensava ver. Como era possível duas pessoas estarem ao seu lado e em seguida sumirem como se nunca tivessem existido?

Pensando racionalmente como todos os outros dias de sua vida, percebeu que não estava completamente sozinho. Possuía a solidão como melhor amiga acompanhada da loucura...



 
 

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