sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Estranhos


Todos os dias ela se sentava no mesmo banco da praça, já era algo comum no horário do almoço. Não gostava de freqüentar restaurantes e nem acompanhar seus colegas de trabalho... Estava sozinha e gostava de continuar assim... Talvez a solidão fosse algo tão comum, que outra forma de vida era estranha aos seus olhos.

Do outro lado, um homem tinha o mesmo costume... Várias vezes a mulher observou aquele estranho que talvez compartilhasse um mesmo sentimento. Será que ele gostava da solidão? Será que ele se acostumara a ela também? Por mais que gostasse de estar sozinha sua curiosidade estava ficando a cada dia maior...

Hoje ela havia tomado uma perigosa decisão, ao menos para ela. Sentaria no mesmo banco que aquele homem. Talvez conversassem, trocassem algumas idéias... Ela já imaginava que os dois poderiam ter muitas coisas em comum, teve certo receio, mas estava decidida, hoje seria diferente...

Chegando à praça avistou de longe o solitário homem, no mesmo lugar... Foi caminhando decidida direto ao banco em que ele estava sentado. Sentou ao seu lado e começou a desembrulhar silenciosamente seu almoço. Ao mesmo tempo pensava desesperadamente em algo para começar uma conversa. Seria sobre o tempo? Muito fútil... Algo sobre política? Não... Delicado demais... Ela não sabia, o desespero foi aumentando, já estava arrependida da decisão que havia tomado.

Derrepente seu pacote de biscoitos caiu no chão, quando ela viu o que havia acontecido, o estranho já se debruçava para pega-lo, entregando a ela, sorrindo... Ela não sabia se naquele momento falava algo ou apenas sorria. Escolheu a segunda opção. Os dois se olharam por alguns momentos, somente pelo olhar se comunicaram, sabiam que a companhia um do outro era o suficiente, sem palavras, sem questionamentos. Apenas o silêncio...

Continuaram a comer, sem nenhuma palavra entre eles, apenas a cumplicidade de algo que somente eles entendiam... 


Nenhum comentário:

Postar um comentário