O pássaro cantava uma música de adeus... Seus pequenos olhos percorriam o quarto a procura de algo... Já fazia alguns dias que sua visita era algo constante, intensa. Sua visita era a única coisa que se tornara algo real.
Sozinha na cama, em um quarto frio e sem vida, uma mulher deitada com pés frios e rígidos, frios como seus sentimentos, suas esperanças...
O sol entrando pela vidraça da janela, já se tornara um inimigo, a cada toque em seu corpo, a dor se tornava cada vez mais insuportável. Entretanto a dor se tornara também uma companhia...
Seu corpo doía ao contato de uma pequena brisa, por isso a janela fechada, por isso o pássaro observava de longe...
Sozinha na cama, a mulher com uma foto desgastada pelo tempo em seu peito. A foto do único homem que a amou, mas também o único que a feriu com suas palavras...
Talvez não o visse mais, não sentisse mais o seu cheiro, mas ainda sentia sua presença, a loucura a dominava a cada dia.
Sozinha na cama, agora a morte como companhia, morte lenta, rindo de seus pecados, seus sonhos destruídos.
O pássaro continuava a cantar cada vez mais fraco, o ar dentro do quarto se tornava cada vez mais pesado, a dor finalmente acabara...
Sozinha na cama, um corpo sem vida que o pássaro observou. Suas visitas nunca mais seriam percebidas...

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